A meditação nos ajuda a acessar nosso eu verdadeiro, feliz e completo, trazendo paz interior e consciência.

Técnicas simples de meditação podem contribuir para o autoconhecimento e o equilíbrio das emoções. Embora a prática da meditação deva ser desenvolvida com a orientação de professores ou instrutores oficialmente capacitados, até que o praticante esteja preparado para realizá-la sozinho, alguns exercícios podem ser realizados por qualquer pessoa.Basta ter um ambiente tranquilo e concentração.
Thiago Leão, responsável pelo Instituto Hermógenes, no Rio, que leva o nome de seu avô, um dos precursores da ioga no Brasil, descreve um desses exercícios. Primeiro, ele recomenda acomodar-se de forma confortável e com a coluna alinhada.
“O ideal é sentar-se no chão e dobrar as pernas na postura de lótus, com os pés trançados sobre as coxas. Mas, se a pessoa não conseguir, pode colocar os pés sob as coxas, esticar as pernas ou mesmo sentar numa almofada, num banquinho ou numa cadeira. O importante é ter conforto”, explica o professor.
É preciso relaxar
“Comece a relaxar o corpo. Mentalmente e lentamente, comande o relaxamento dos pés, dos tornozelos, das pernas, do tronco, dos braços, do pescoço e da cabeça. Para meditar, é preciso relaxar. Na Índia, costuma-se dizer que ninguém medita se estiver com dor de barriga”, diz.
Em seguida, ele instrui os principiantes a simplesmente observar a respiração. “Concentre-se no ar fresco que entra pelas suas narinas, percorre o seu corpo e sai aquecido. Não precisa interferir no ritmo, só observar”, recomenda. “Não lute contra os pensamentos. Quando se distrair, reconduza o foco tranquilamente para a respiração”.
Leão sugere que esse exercício seja feito por cinco a dez minutos por dia, num local silencioso e de preferência – mas não necessariamente -- pela manhã. Ele lembra que o principal objetivo da ioga é justamente tornar o corpo flexível para meditar melhor.
“Para o ioga, a natureza do ser humano já é a felicidade. Mas, por excesso de preocupações, não conseguimos vivencia-la. A meditação nos ajuda a acessar nosso eu verdadeiro, feliz e completo, trazendo paz interior e atitudes mais conscientes”, afirma.
Cultivando a felicidade
O presidente da Sociedade Budista do Brasil (SBB), João Nery Rafael, acredita nos mesmos benefícios, baseado na sua própria experiência. “Com a meditação, passei a cultivar certa felicidade independentemente das condições externas, que não estão sob meu controle. Você passa ser livre e muda sua escala de valores”, revela.
Ele ensina o seu exercício preferido para quem quer praticar sozinho. Os principiantes devem sentar-se numa cadeira, sem encostar a coluna, ou no chão, sempre mantendo uma postura confortável.
“Concentre-se na respiração, cultivando o pensamento de amor universal e de bondade para todos os seres. Na inspiração, pense que você está bem, feliz e em paz. Na expiração, mentalize o mesmo para ou outros. Dirija o pensamento para cada pessoa, sejam as mais queridas ou as hostis”.
O ideal é que a prática seja diária, por alguns minutos, num ambiente calmo, sem interrupções. “Depois de algum tempo, você pode criar pensamentos sólidos como, por exemplo, o de ‘não usar o ódio como energia’. Isso o ajudará, por exemplo, a manter a calma durante um assalto ou não usar a raiva numa discussão familiar”, afirma o professor Rafael, que também é psicólogo.
Segundo ele, para a Escola Theravada de Budismo, seguida pela SBB, a meditação tem dois papéis fundamentais: desenvolver a capacidade de tranquilizar a mente e purificar as emoções aflitivas.

Para meditar o ideal é sentar-se no chão e dobrar as pernas na postura de lótus, com os pés trançados sobre as coxas, se não conseguir, coloque os pés sob as coxas