Alimentação adequada melhora os sintomas da gastrite

Especialistas apontam o que se deve ou não comer e sugerem cardápio para melhorar a qualidade de vida de quem tem a doença

Uma dieta equilibrada é fundamental para saúde e para uma duradoura sensação de bem-estar, em especial entre as pessoas que sofrem de doenças estomacais como a gastrite. Nestes casos, seguir uma dieta específica ou trocar certos alimentos por outros, além de diminuir os incômodos sintomas, pode aumentar e muito a qualidade de vida.

A gastrite é uma inflamação da mucosa do estômago diagnosticada pelo exame de endoscopia digestiva alta. Os sintomas mais comuns são dor e queimação no abdômen e, em casos mais complicados, sangramento digestivo. A ingestão de alguns alimentos piora os sintomas de quem tem gastrite. O ideal é evitá-los.

Para minimizar os sintomas, o R7 consultou a gastroenterologista Marilia Gaboardi, responsável pela Área Comunidade da Sociedade de Gastroenterologia de São Paulo, que apontou uma a uma as principais armadilhas nas refeições de quem sofre de gastrite assim como os alimentos que mais trazem benefícios.

Mas antes de começar qualquer dieta, a gastro recomenda consultar um médico para ter mais informações sobre sua real situação de saúde. Detalhe: as dietas não dispensam a medicação.

- As orientações dadas ao paciente são extremamente importantes e deverão ser seguidas para se obter o sucesso esperado.

Depois de aprender a separar o 'joio do trigo', experimente adotar o cardápio feito pela nutricionista Fernanda Scheer especialmente para quem sofre com a gastrite.

O que comer e como comer

- Priorizar: alimentos com propriedades calmantes e antiinflamatórias como couve, hortelã, gengibre, chás. Consumir vegetais e frutas cruas em abundância. Tomar bastante água nos intervalos das refeições

- Utilize ervas e temperos naturais: coentro, sálvia, salsa, tomilho, endro, manjericão, gengibre, erva-doce, cominho, hortelã, alho

- Aumente o consumo de frutas e vegetais crus

- Preste atenção nos alimentos que lhe fazem mal: não adianta insistir em consumi-los; não é tudo que nosso organismo aceita

-Alimente-se com calma: fale pouco durante a refeição, mastigando bem o alimento (pelo menos 25 vezes), evitando ingerir líquido durante a refeição

-Não ficar longos períodos de estômago vazio: coma alguma coisa a cada 3-4 horas

-Tome leite com moderação (mesmo desnatado): no máximo meio litro ao dia: isso porque o leite é alcalino e nosso estômago é ácido. Quanto mais alcalino é ingerido, mais ácido o estômago irá produzir. Então independe se é desnatado ou não

- Substitua a laranja pera por laranja lima: a laranja lima não é ácida

-Substitua o café pela versão descafeinada: café, chá preto, chá mate e chocolate têm cafeína, que estimula a produção de ácido pelo estômago. Já o café descafeinado não tem cafeína

- Coma sem medo: qualquer alimento que não esteja na lista acima, desde que não se faça jejum prolongado, se mastigue bem e não coma ao deitar

-Se quiser comer fritura, prepare na frigideira de teflon, sem óleo, ou grelhado: o problema da fritura é o óleo utilizado

Alimentos e hábitos a se evitar

- Alimentos irritativos da mucosa gástrica: café, açúcar, carne vermelha, álcool, temperos fortes (alho, cebola, molho shoyu, pimenta, catchup, mostarda), leite de vaca e derivados, refrigerantes, frituras, gorduras, molho de tomate, frutas ácidas (limão, laranja, mexerica, maracujá, abacaxi, kiwi, morango), sucos ácidos (limonada, laranjada, suco de acerola, maracujá, abacaxi), alimentos com cafeína, pimentão e berinjela (de difícil digestão)

- Evite o consumo de alimentos prontos: congelados, industrializados e de pacote

- Fumar: o fumo para quem tem gastrite pode piorar ainda mais os sintomas, pois aumenta a produção de ácido no estômago. Isso é suficiente não só para causar irritação local, como para alterar os dentes e a mucosa oral, prejudicando a digestão que começa na boca com o mastigar dos alimentos

- Ingerir grande quantidade de alimentos antes de se deitar: aguarde pelo menos 2 horas para dormir: neste caso, temos que lembrar o tempo de digestão dos alimentos:

Frutas: 30 minutos; carboidratos (batata, raízes, cereais, massas, farináceos): 2 a 3h; proteínas (carnes, ovos, leite e derivados, leguminosas): 3 a 4h; gorduras: 4 a 5 h; o ideal é uma refeição leve à noite, com alimentos que são de mais rápida digestão

- Alimento muito quentes: gastrite é a inflamação do estômago. Alimentos quentes dilatam os vasos e pioram essa inflamação

- Goma de mascar: quando mastigamos o estômago começa a produzir ácido porque irá entrar alimento. Só que nesse caso o alimento não será deglutido

- Evite fazer refeições volumosas: faça três refeições principais de menos volume e dois a três lanchinhos.

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Cardápio para quem sofre de gastrite

A nutricionista Fernanda Scheer, especialista em Nutrição Funcional e Desintoxicação, fez um cardápio especial com sugestões do que se deve priorizar e evitar comer para amenizar os sintomas do distúrbio. Veja abaixo:

Café da manhã:

- 1 copo de suco – 1 maçã batida com 1 folha de couve + folhinhas de hortelã + 1 pedaço pequeno de gengibre + água + 1 col. de sopa de farinha de linhaça triturada (bata tudo no liquidificador)

- 2 fatias de pão integral com pasta de tofu

Lanche da manhã:

- 1 xícara de chá de hortelã

- ½ papaya com 1 col. de farelo de aveia

Almoço:

- Salada crua à vontade priorizando vegetais verde escuros

- 1 col. de azeite de oliva extra virgem para temperar

- 2 col. de sopa de brócolis cozido

- 3 col. de sopa de arroz integral

- 3 col. de sopa de feijão

- 1 posta de salmão assada

Sobremesa: 1 pêra assada com gengibre

Lanche da tarde:

- 1 xícara de chá de alecrim

- 2 torradas integrais com tahine e geléia de frutas sem açúcar

Jantar:

- 2 pratos fundo de sopa de legumes e mandioquinha com 1 ovo cozido

Ceia:

- ameixa ou pêra ou maçã cozida

Veja mais alimentos que ajudam ou prejudicam a gastrite e veja algumas dicas para acabar com a dor

A gastrite é uma inflamação na parede do estômago, mas "nem toda dor na barriga quer dizer que você tenha gastrite", alerta Joaquim Prado Moraes Filho, professor de gastroenterologia da Universidade de São Paulo.

"Uma queimação pode indicar também úlcera, problema do fígado ou pode não ser nada, apenas um desconforto passageiro", afirma o professor. Por isso, é importante procurar um médico quando esse sintoma ou azia, perda de apetite, náuseas, vômitos, diarreia e sangramento nas fezes aparecerem.

Outra dica importantíssima, é saber quais alimentos protegem ou atacam o estômago.

Os mocinhos...

- Ovo, mamão, batata, brócolis, gelatina e pão integral.

- Iogurte, água de coco, sucos naturais diluídos em água.

 

- Alho, doces, limão, queijo, fritura, abacaxi, laranja, pimenta, adoçante, ketchup, mostarda, chocolate, embutidos, churrasco, temperos fortes e molho de tomate.

- Café, álcool, refrigerante, guaraná em cápsulas ou em pó, energéticos em lata e bebidas muito quentes.

Como acabar com a dor

- Evite passar muitas horas sem comer.

- Se estiver difícil comer, tome apenas um chá morno – de camomila ou erva-cidreira – e biscoito água e sal ou maisena.

- Vá adicionando outros pratos aos poucos, para não irritar o estômago. Invista em comidas leves, preparadas sem muito óleo e temperos, como purê de batata, macarrão cabelinho de anjo e filé de frango grelhado.

- De manhã, ainda em jejum, bata no liquidificador 1 folha de couve e 1 copo de água gelada e tome o suco.

Atenção:

Uma das emoções mais primitivas presente nos seres humanos é a raiva. Ela provoca alterações no Sistema Nervoso Autônomo, e consequentemente, diversos órgãos poderão ser atingidos, alterando seu funcionamento e favorecendo o surgimento de diversas doenças. A não-elaboração dessa emoção e dos conflitos psíquicos a ela relacionados contribuiu para a sua expressão em forma de sintomas orgânicos, como por exemplo a gastrite e esofagite.

>> Não tome remédios sem acompanhamento médico!

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