Cálculo renal não é uma doença, mas um aviso de que algo está errado e pode apontar o diagnóstico de outra enfermidade. Este foi o alerta inicial da nefrologista Maria Goretti Penido, professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, na palestra do projeto Quarta da Saúde do mês de abril.
Com o tema "Cálculo renal: como se forma e como evitar?", a apresentação chamou a atenção para as causas multifatoriais e os cuidados preventivos ao problema cada vez mais recorrente, que pode atingir até 12% da população mundial. Segundo a professora, esse aumento da incidência e prevalência, inclusive em crianças, se deve à mudança no estilo de vida, como os hábitos sedentários e as mudanças da alimentação. A prevenção ganha ainda mais importância pelo fato de não existir cura para as "pedras nos rins", e pela quase certeza da recorrência das crises.
Sobre os tratamentos naturais, Maria Goretti afirmou que os pacientes podem, sim, utilizá-los, e inclusive citou um estudo que comprova a eficácia do conhecido "chá de quebra-pedra". "Todo mundo tem um palpite ou uma opinião sobre o cálculo renal. As crenças populares que receitam comer determinada raiz, por exemplo, já existiam desde 2000 a.C.", contou. Mas a professora também ressaltou a necessidade do acompanhamento com um profissional, principalmente pelo fato da "pedra" não ser a doença. Assim, torna-se necessário descobrir e solucionar o que a causou.
Fatores Associados
Obesidade – Está relacionada ao aumento da incidência de cálculo devido à redução do Ph urinário, consequência da resistência à insulina. Com a urina mais ácida, há a precipitação do ácido úrico, ou seja, não há a dissolução total dos Ãons, ocasionando a formação do cálculo.
Aquecimento Global – O fato da incidência do cálculo renal ser maior no verão chama a atenção. O aumento da temperatura gera a produção excessiva de suor e, portanto, a diminuição da água na urina para dissolver os Ãons eliminados. Por isso, a necessidade maior de ingerir muito lÃquido.
Êxodo Rural – Segundo a professora, esse fator tem um papel maior na prevalência do cálculo renal do que o aquecimento global. Sua importância está na consequência das mudanças dos hábitos. "No interior, as pessoas andam mais e se exercitam mais; já quando vêm para a cidade, só pegam ônibus ou andam de carro. Além disso, deixam de ter o costume de comer alimentos mais saudáveis, como frutas", explicou.
Alimentação – Este é o ponto que a professora mais chama a atenção. Pode ser o principal fator de risco, caso ocorra o consumo excessivo de sal. "Quanto mais sal consumido, mais cálcio será eliminado", alerta. A eliminação desordenada desse Ãon é um problema porque, além de se acumular no rim e poder formar a "pedra", ele pode ser eliminado dos ossos, ocasionando seu enfraquecimento e até a osteoporose. Neste caso, ela também aproveitou para desmistificar a recorrente indicação de parar de consumir leite e derivados, que, ao invés de ajudar, pode agravar ainda mais o quadro. Este também pode ser o principal fator de prevenção e cuidado, se houver o aumento da ingestão de frutas, verduras e, acima de tudo, de muito lÃquido. Beber muita água foi uma dica presente em toda a palestra e apontada como a principal solução.
Sinais e Sintomas
"A dor é pior do que a do parto, porque ela não para. Está entre as três piores e, às vezes, nem com remédio passa", relatou Maria Goretti. A dor pode ser sentida na barriga, como na maioria dos casos das crianças, ou mais comumente na lateral das costas. Ela pode migrar até a virilha, seguindo o caminho do ureter, o canal por onde a "pedra" passa e vai obstruindo. A partir da dor, que é o principal sintoma, há outros, como o calafrio, náuseas, febre, vômitos e sudorese abundante. Há também outros sintomas que emitem alerta, como a urina com sangue ou com coloração anormal.
Tratamento
Muitos casos podem se complicar, com o surgimento de uma infecção urinária, por exemplo. Isso ocorre principalmente quando o cálculo não é expelido espontaneamente em até seis semanas, gerando a necessidade de uma solução rápida, como a cirurgia.
Após a eliminação da "pedra", o paciente deve ficar de repouso e depois consultar um nefrologista para realizar o que os especialistas chamam de estudo metabólico. Além, é claro, de continuar com as recomendações gerais de ingestão de lÃquido, consumo de frutas e vegetais e o acompanhamento de um especialista.
Por: Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG
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