Conheça 10 maneiras simples de blindar seu coração desde cedo

Muito do que a gente faz ainda jovem pode afastar um enfarte mais tarde

Se a gente se lembrasse do coração na mesma frequência com que ele é citado nas letras de música, é provável que ele não penasse tanto. Ao contrário do que pregam os românticos, o músculo cardíaco sofre por fatores bem pouco poéticos.

Você já até deve ter em mente alguns deles: gordura, cigarro, estresse... Mas conhecer está longe de ser a mesma coisa que colocar em prática e, aí, a maioria das pessoas se dá o direito de deixar sempre para amanhã uma ou outra mudança de hábito. Esse é o erro que, repetido por anos, pode culminar em um susto bem mais grave do que aqueles que só fazem o coração disparar: o ataque cardíaco. O Ministério da Saúde estima que entre 300 e 400 mil brasileiros enfartem todo ano e que até 25% dos casos sejam fatais.

"Embora a maioria dos enfartes aconteça depois dos 40 anos, a doença nas artérias por trás deles costuma se iniciar mais cedo. A questão é que esse fenômeno é pobre em sinais", alerta o cardiologista Sérgio Timerman, diretor da Escola de Ciências da Saúde da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo. Ou seja, não há idade para dar atenção ao seu coração. GALILEU foi atrás das últimas recomendações científicas (algumas surpreendentes) para que ele continue batendo firme por muito tempo.

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Se a gente se lembrasse do coração na mesma frequência com que ele é citado nas letras de música, é provável que ele não penasse tanto. Ao contrário do que pregam os românticos, o músculo cardíaco sofre por fatores bem pouco poéticos.

Você já até deve ter em mente alguns deles: gordura, cigarro, estresse... Mas conhecer está longe de ser a mesma coisa que colocar em prática e, aí, a maioria das pessoas se dá o direito de deixar sempre para amanhã uma ou outra mudança de hábito. Esse é o erro que, repetido por anos, pode culminar em um susto bem mais grave do que aqueles que só fazem o coração disparar: o ataque cardíaco. O Ministério da Saúde estima que entre 300 e 400 mil brasileiros enfartem todo ano e que até 25% dos casos sejam fatais.

"Embora a maioria dos enfartes aconteça depois dos 40 anos, a doença nas artérias por trás deles costuma se iniciar mais cedo. A questão é que esse fenômeno é pobre em sinais", alerta o cardiologista Sérgio Timerman, diretor da Escola de Ciências da Saúde da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo. Ou seja, não há idade para dar atenção ao seu coração. GALILEU foi atrás das últimas recomendações científicas (algumas surpreendentes) para que ele continue batendo firme por muito tempo.

1) Deixe a cuca fresca

Estresse é palavra dominante no vocabulário, até porque é uma reação natural do organismo, herdada dos nossos antepassados primitivos. Mas ele só passa a atormentar o organismo quando vira crônico, em função da agenda cheia, das cobranças... "Isso desgasta o coração no decorrer do tempo", afirma o cardiologista Carlos Alberto Pastore, do Instituto do Coração (InCor), em São Paulo. "É como se o estresse fizesse o filme passar mais rápido, ou seja, antecipar o aparecimento de problemas como a pressão alta", compara. O marasmo e a angústia também refletem no peito. "A depressão é capaz de alterar o ritmo cardíaco. Os batimentos não reagem, como deveriam, às oscilações próprias da vida", diz Pastore. Por essas e outras, o distúrbio engrossou recentemente a lista de inimigos declarados do coração.

Pausa necessária
Se você anda explosivo ou ansioso além da conta, procure uma atividade que acalme os nervos. Pode até ser meditação, ioga, técnicas de respiração... mas, se preferir, dedique-se simplesmente a um livro ou a um filme. O importante é dar uma desligada pelo menos uma hora por dia. Se notar uma desmotivação ou angústia constante, procure um especialista. Problemas como depressão exigem tratamento médico.

2) Durma melhor

Experimentos com ratos e seres humanos atestam que a privação de sono — seja de propósito, seja por insônia — tira o sossego dos vasos e do coração. Não por acaso sua mãe e os médicos defendem que a gente tem que ir pra cama mais cedo. Deitar-se e fechar os olhos, no entanto, não significa que o sono será reparador. E o melhor exemplo disso é a apneia do sono, condição marcada por roncos e cortes imperceptíveis na respiração ao longo da noite. Segundo dados da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), 38% dos paulistanos sofrem de algum grau do distúrbio. Além de não deixar a pessoa alcançar as fases mais profundas e reparadoras do sono, a apneia desregula a captação de oxigênio à noite. "Isso causa uma disfunção na camada interna dos vasos, aumentando o risco de hipertensão e entupimento das artérias", diz o cardiologista Rui Póvoa, da Unifesp.

Além do ronco
Nem todo mundo que emite aquela sinfonia na madrugada tem apneia do sono. O ronco nada mais é que um barulho causado pela passagem de ar pelas vias aéreas. Na apneia, porém, além do ruído, ocorrem rupturas no fluxo de oxigênio, o que deixa o corpo em estado de tensão. Pessoas com queixo mais retraído ou acima do peso são as principais candidatas ao distúrbio, que tem diversas abordagens terapêuticas.

3) Fuja do trânsito (se possível)

Os congestionamentos já viraram problema de saúde pública. E a razão não tem tanto a ver com acidentes, mas com os efeitos de ficar dentro do carro e exposto à poluição. Um estudo recém-publicado pela Universidade Washington, nos Estados Unidos, demonstrou, após avaliar 4.300 pessoas, que, quanto maior a distância e o tempo perdido no tráfego, maior a probabilidade de acúmulo de gordura na região da cintura e o risco de descompassos nos vasos. "O trânsito afeta as artérias por um efeito combinado entre a poluição do ar e o estresse ao volante", diz o cardiologista Luiz Bortolotto, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. Se não é o seu caso, imagine alguém que fica uma hora e meia dirigindo em uma grande cidade: ele respira a fumaça dos escapamentos, se angustia diante do mar de veículos e, ao chegar em casa, tem pouca disposição para pegar o carro de novo e ir pra academia. Por falar em tensão, pesquisadores dinamarqueses confirmaram que a barulheira em meio às avenidas também é capaz de puxar o gatilho para ataques cardíacos. A ameaça surgiria a partir de ruídos de 40 decibéis, valor facilmente ultrapassado numa via movimentada, e, a cada 10 decibéis somados, o risco de um piripaque cresceria em 12%. O problema aí é que de nada adianta aumentar o volume do rádio para escapar dos motores e buzinas. Embora a ciência ainda não tenha conselhos conclusivos para os motoristas, é de se pensar que, pelo menos para frear o fator estresse, uma solução seja pegar o transporte público de vez em quando. No mínimo, você vai caminhar um pouco mais, o que faz bem ao coração, e quebrar aquela tensão de rotina. Agora, quando estiver guiando, tente, dentro do possível, relaxar com um som mais calmo e traçar um itinerário com menos carros, fumaça e barulho.

Ilustrações: Rabisco Estúdio

4) Sue a camisa

Talvez não haja hábito tão poderoso em termos de prevenção de enfarte quanto o de praticar atividade física regularmente. A façanha do exercício é contrapor, ao mesmo tempo, diversos fenômenos que sabotam as artérias e o coração. São efeitos dignos de remédio: controle do peso e da pressão, redução do colesterol, equilíbrio dos processos inflamatórios... Tudo isso propicia uma faxina na rede de vasos, sem falar na sensação de bem-estar depois do treino. Só tome cuidado com algumas ciladas, como se exceder na carga e no tempo de exercício ou querer tirar o atraso no final de semana. "O esforço demasiado pode precipitar um enfarte se o indivíduo já tem uma artéria comprometida", avisa Sérgio Timerman.

5) Coma direito, mas sem tanta neura

Dentro do cardápio perfeito para o coração, vira e mexe um alimento é alçado a vilão ou mocinho. Veja o caso do ovo: liberado há alguns anos, seu papel benfeitor foi questionado por um trabalho da Western University, no Canadá. Ele sugere que comer gemas demais seria tão ruim para os vasos quanto fumar. Mas calma lá... o estudo foi feito com voluntários com histórico de doença cardiovascular. Não é o ovo que merece ser condenado, mas o abuso. "O ideal é comer no máximo três gemas por semana, até porque o ovo já está na receita de pães e massas", diz a nutricionista Camila Torreglosa, do Hospital do Coração. Aliás, Camila resume a ópera, ou melhor, a receita de proteção aos vasos: "Sempre dê preferência aos alimentos naturais".

Maneire em...
* Macarrão instantâneo, comida congelada e temperos prontos (um poço de sal)
* Carne vermelha (sobretudo cortes gordurosos)
* Frituras (gordura pura para os vasos)
* Biscoitos recheados e salgadinhos (alguns ainda têm gordura trans, a mais nociva)
* Sal (dispara a pressão)Maneire em...

Invista em...
* Frutas, legumes e verduras (fontes de fibras e antioxidantes, substâncias que previnem a formação das placas)
* Grãos e cereais (mais fibras e vitaminas protetoras dos vasos)
* Leite e derivados magros (seus minerais ajudam a equilibrar a pressão)
* Peixes (fornecem ômega-3, gordura de ação anti-inflamatória)

6) Cuide dos dentes

Se você é daqueles que têm preguiça de dar um trato na boca depois do almoço, eis um aviso para mudar de ideia: a negligência com a escova e o fio dental pode repercutir no coração. Surgiram fortes evidências de que a gengivite e sobretudo seu estágio mais avançado, a periodontite, prestam contas à formação de placas nas artérias. "Pessoas com esse problema crônico têm um risco de 1,5 a 6 vezes maior de enfartar", estima o cirurgião cardíaco Guilherme Succi, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular. A gengivite é silenciosa — vez ou outra gera sangramentos — e, sem cuidados, evolui a ponto de assombrar não apenas os dentes. Solução simples: higiene após as refeições e visita ao dentista pelo menos uma vez ao ano.

7) Vacine-se contra a gripe

A picada anual não serve apenas para prevenir a infecção pelo vírus influenza. Ela também pode amenizar e evitar danos ao coração. "Trabalhos mostram que a vacina reduz a mortalidade por doenças cardiovasculares", conta o cardiologista Antônio de Pádua Mansur, da Universidade de São Paulo. Todo mundo tiraria proveito desse bom efeito colateral? "A proteção só vale para pessoas mais velhas ou que já apresentam problemas nos vasos", diz Mansur. A vacina resguarda o coração, na verdade, de forma indireta. Ao barrar a infecção, ela impede que o corpo vire refém de inflamação e febre alta e, em casos mais graves, de uma pneumonia. "Quando alguém já tem uma doença na artéria do coração, essas complicações podem fazer com que um quadro estabilizado se desequilibre, resultando, por exemplo, no enfarte", explica Mansur.

8) Olhe a embalagem

Já ouviu falar em bisfenol-A? Pois essa substância, encontrada em algumas embalagens plásticas (mamadeiras, copos, pratos, brinquedos), tem movido uma caça às bruxas pelas autoridades de saúde. É que ela é capaz de desregular hormônios sexuais e até fomentar alguns tipos de câncer. Não bastassem essas provas, que já justificam o compromisso das indústrias nacionais e estrangeiras de erradicar o componente nos próximos meses, outra suspeita recai sobre ela: a de patrocinar ataques cardíacos, como sugere um trabalho da Universidade de Exeter, na Inglaterra. "Embora o bisfenol-A se mostre, pelas estatísticas, um fator de risco independente, é mais provável que seja um elemento adicional a condições como tabagismo e colesterol alto", diz o epidemiologista David Melzer.

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O que dá pra fazer
* Não compre produtos enlatados ou com embalagem plástica danificados ou amassados — isso facilitaria a contaminação do alimento.
* Quando for comprar copos, pratos ou garrafas de plástico, repare no símbolo de reciclagem estampado na embalagem. Prefira os que não têm os números 3 e 7, que teriam maior concentração de bisfenol-A.
* Não coloque bebidas ou alimentos muito quentes em recipientes plásticos, nem os leve ao forno ou micro-ondas.

9) Fique longe do cigarro e de outras drogas

Quase todo mundo sabe de cor a lista de males provocados pelo cigarro — e é inegável que essa conscientização tenha ajudado a baixar os números de morte por doença cardíaca. Mas, lá vem notícia, um grupo específico está na contramão dessa tendência: as mulheres mais jovens, sobretudo as europeias. "Elas estão fumando muito", diz o cardiologista Sílvio Reggi, da Universidade Federal de São Paulo. Parece até que o vício que por tanto tempo predominou entre os homens está trocando de lado. Azar do coração das fumantes — e de qualquer um que continue tragando ou inalando baforadas alheias. De acordo com Reggi, fumar é o principal mau hábito que, sozinho, eleva a probabilidade de um enfarte ou insuficiência cardíaca. Mas é importante que você saiba que ele não está sozinho no time das drogas perigosas ao coração. Entre as ilícitas, os malefícios mais conhecidos são os da cocaína, que estimula o aperto dos vasos e acelera a formação de placas. O ecstasy também parece prejudicar a pressão arterial, mas é preciso mais tempo para avaliar o impacto dos entorpecentes sintéticos no sistema cardiovascular. O recado, em todo caso, é curtir a festa sem recorrer a esses artifícios.

Os piores tóxicos para o peito

Cigarro
Seus inúmeros componentes contribuem para a formação das placas de gordura e elevam a quantidade de adrenalina circulante, o que faz a pressão arterial subir.

Cocaína
A exemplo do tabaco, agiliza o processo de consolidação das placas nas artérias e colabora com o aumento da pressão. Picos de pressão, aliás, podem resultar em ataques cardíacos.

Ecstasy
Induz privação de sono e também altera a pressão arterial. Além disso, pode causar arritmias, quando o coração perde o compasso e fica mais suscetível a piripaques.

10) Evite álcool+energético

A mistura de álcool com energético é um dos combustíveis mais populares das baladas. Mas vamos dar um bom motivo para você abolir o drink ou substituí-lo. Ele tem um efeito digno de coquetel molotov para o músculo cardíaco, como aponta um estudo da Universidade da Tasmânia, na Austrália, envolvendo 403 pessoas entre 18 e 35 anos. Embora o álcool em si possa até ser benéfico para um coração saudável quando consumido em doses moderadas — não mais do que 30 gramas por dia, o que corresponde a duas taças de vinho —, o abuso acaba com a festa e transforma a bebida em ameaça. "A ingestão crônica e exagerada pode provocar arritmias graves e favorecer o enfarte", alerta o cardiologista Carlos Eduardo Suaide Silva, da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Mas quando o energético entra na história o perigo é potencializado, principalmente para quem tem tendência a doenças cardíacas ou já apresenta uma artéria comprometida. "Da mesma forma que a cocaína, altamente excitante, é capaz de levar a um ataque cardíaco, uma pessoa com maior risco pode enfartar se exagerar na associação de álcool e energético ", diz Silva. "Isso porque há uma somatória de fatores, como álcool, cafeína e outros estimulantes, além do esforço físico de uma dança." Na próxima balada, você já sabe o que não pedir.

* As medidas (lata de cerveja, taça média de vinho e dose mínima de destilado) só valem para pessoas saudáveis e se preconiza, ainda, evitar o álcool pelo menos duas vezes por semana (Fonte: OMS)

Por Evanildo da Silveira e Diogo Sponchiato