A terapia de casal ainda é encarada com resistência. Parceiros que vivem relações problemáticas hesitam em recorrer a essa modalidade de análise por uma série de motivos: desde achar que a medida é para fracassados até medo do julgamento que família e amigos farão.

No entanto, esse tipo de terapia pode ser uma alternativa eficaz na tentativa de reconstruir o relacionamento de duas pessoas que ainda se amam, mas que não conseguem se entender.

“Recomendo quando as discussões se tornaram infrutíferas e constantemente viram brigas. Quando a irritabilidade, a raiva e a impaciência permeiam a relação, que se torna destrutiva, deixando os parceiros exaustos”, explica a psicoterapeuta Carmen Cerqueira Cesar. “Sem perceber, ambos constroem muralhas para se defender um do outro”.

Problemas como infidelidade (inclusive virtual), depressão, dificuldades financeiras, uso de álcool e drogas, falta de desejo, discordâncias sobre a educação dos filhos e conflitos com a família são algumas das razões que costumam levar os casais ao consultório.

Como funciona a terapia?

As sessões são conjuntas, mas se, eventualmente, um dos dois precisar de atendimento individual, para lidar com alguma questão particular que está atrapalhando a relação, é possível marcar encontros sem o par. Isso depende do terapeuta e da situação vivida pelo casal.

“Em geral as sessões são a dois, pois a intenção é, justamente, que haja transparência, para que possam falar e ouvir um ao outro, buscando soluções para o que os aflige”, informa a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casais pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Havendo a necessidade de sessão individual, ambos terão o mesmo número de atendimentos, mas qualquer segredo contado ao terapeuta será dito, também, na sessão conjunta.

O tratamento dura, em média, três meses, com sessões semanais, mas há casais que se sentem bem com o processo e decidem continuar. “Cada caso é um caso. Costumo indicar terapia individual para aqueles que precisam amadurecer ou trabalhar questões particulares”, conta Carmen.

Final feliz sob uma nova ótica

O desfecho feliz não significa somente o casal ficar junto, mas, sim, conseguir resgatar a boa comunicação, o afeto, a boa vida sexual, a cumplicidade e a vontade de continuar a construir uma vida a dois. Entretanto, o casal pode concluir, através das sessões, que a separação é a melhor saída.

De acordo com a psicóloga Marina Vasconcellos, as pessoas esperam muito para procurar ajuda, e o fazem grande parte das vezes quando já não há quase possibilidade de resgatar uma relação tão desgastada. “É comum receber casais que chegam dizendo que essa é a última chance que darão ao casamento, pois não aguentam mais tamanho sofrimento. Se procurassem resolver os problemas à medida em que aparecem, tudo seria mais fácil”, diz.

Às vezes, a terapia serve para que o casal consiga se separar de forma amigável, entendendo o que aconteceu, aceitando a perda de forma madura e consciente para que não corra o risco de errar novamente em um próximo relacionamento. E para que não fiquem questões pendentes.

Mesmo quando não ficam juntas, as pessoas podem se beneficiar da terapia de casal, o que é positivo em especial para quem tem filhos. A partir das sessões, cada um olhará para si a fim de entender como seu comportamento afeta o parceiro ou qual é sua responsabilidade pelos conflitos que vivem a dois. Com as questões resolvidas, é mais fácil manter uma relação de amizade após a separação.

Terapia de casal e terapia sexual

Muita gente ainda confunde terapia de casal e terapia sexual. São processos bem diferentes: na terapia de casal, o objetivo é mais amplo e envolve o tipo e qualidade do vínculo, a história da relação, as expectativas e os ideais de cada um, o desvelamento do contrato inconsciente e os papéis cada um ocupa. Também são levadas em consideração quais as fantasias inconscientes que permeiam a relação.

Na terapia sexual, o objetivo é melhorar o sexo. “Mas como a sexualidade está ligada à relação, é comum que ela seja discutida na terapia de casal. É possível abordar essa questão sem precisar de um especialista no assunto. Exercícios são propostos e problemas que pareciam mais complicadas, como ejaculação precoce, são resolvidas na terapia de casal”, explica Marina Vasconcellos.

Fonte: Heloísa Noronha – Do UOL, em São Paulo

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