Mitos e verdades sobre o cigarro

Seis milhões de pessoas no mundo morrem todo ano devido ao uso do cigarro, Todo cigarro faz mal à saúde, não importa a marca ou o tipo. Confira os mitos e verdades sobre a droga:

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Algumas marcas de cigarro são piores do que outras?
MITO: todo cigarro faz mal à saúde, não importa a marca. "Existem marcas que trazem um teor menor de nicotina, alcatrão e monóxido de carbono chamados cigarros lights e ultra lights. No entanto, os fumantes tendem a consumir uma quantidade maior destes cigarros (conhecido como mecanismo de compensação do fumante) para manter o nível de nicotina no cérebro estável e garantir o mesmo nível de satisfação", aponta a pneumologista Suzana Pimenta, do Hospital 9 de Julho.

Parar de fumar pode engordar?
VERDADE: quando se para de fumar, o organismo sofre alterações metabólicas que podem ocasionar ganho de peso de dois a quatro quilos após largar a substância. Geralmente, quando a pessoa ganha mais peso do que isso, é porque está usando a comida como válvula de escape para lidar com fatores como ansiedade e depressão.

Cigarro light faz menos mal?
MITO: cigarros light, ultralight ou de baixo teor fazem tanto mal, ou até mais, que os tradicionais. Isso porque mesmo que cada cigarro seja menos tóxico, o fumante acaba tragando mais, ou consumindo mais cigarros, para obter a mesma quantidade de nicotina. "O cigarro light foi criado com a promessa de menores danos à saúde por conter um teor menor de nicotina e alcatrão. Entretanto, estudos do National Institute of Health, dos Estados Unidos, evidenciaram que ele não evitou o crescimento das taxas de câncer de pulmão", alerta a pneumologista Suzana Pimenta, do Hospital 9 de Julho.

Fumantes passivos também correm risco de desenvolver doenças?
VERDADE: o fumante passivo corre tantos riscos quanto quem fuma. Reações como tosse, irritação nos olhos, dor de cabeça, coriza, agravamento de doenças respiratórias e náuseas são os primeiros sintomas sentidos por quem convive com um fumante. Em longo prazo o problema pode se tornar mais sério: os fumantes passivos têm um risco 30% maior de desenvolver câncer de pulmão e 24% maior de ter infarto do que as pessoas que não fumam e não convivem com fumantes. "Os fumantes passivos têm um risco alto de desenvolver câncer de pulmão, infarto do miocárdio e até ter alterações na gestação, entre outros problemas de saúde", aponta o pneumologista Ubiratan de Paula Santos, médico da Divisão de Pneumologia do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas e professor da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).

Cigarro de palha não faz mal porque é natural?
MITO: o cigarro de palha é ainda mais prejudicial à saúde do que o cigarro tradicional. Isso porque o fumo é envolto em palha, que não permite a passagem de ar de dentro para a fora do cigarro, e não possui qualquer tipo de filtro, tornando as tragadas mais intensas, concentradas e nocivas.

Cigarro eletrônico é uma boa alternativa ao cigarro?
PARCIALMENTE VERDADE: o tema é bastante controverso. Os favoráveis ao cigarro eletrônico afirmam que ele imita a sensação de fumar, oferece ao fumante sua dose diária de nicotina e evita a inalação das substâncias cancerígenas e nocivas à saúde. Mas os contrários ao produto argumentam que existem, mesmo em concentrações reduzidas, traços de substâncias cancerígenas e que não há evidências científicas da eficácia do cigarro eletrônico no combate ao hábito do fumo, nem de sua segurança. "O cigarro eletrônico baseia-se na vaporização do líquido em seu interior que contém nicotina, além de uma variedade de produtos químicos tóxicos e cancerígenos, a depender do fabricante. Os estudos até o momento não confirmaram a redução da taxa do tabagismo em fumantes que utilizam o cigarro eletrônico como tratamento. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não liberara este produto para consumo", ressalta a pneumologista Suzana Pimenta, do Hospital 9 de Julho

Usar chiclete ou adesivo de nicotina pode viciar?
MITO: tanto o chiclete como o adesivo, assim como o spray nasal e o inalador de nicotina, fazem parte da chamada TRN (Terapia de Reposição de Nicotina). A TRN mantém o organismo com doses controladas e cada vez menores de nicotina, reduzindo os sintomas físicos de abstinência sem expor o fumante aos efeitos nocivos dos outros componentes do tabaco. No entanto, estudos recentes questionam a eficácia desses produtos para ajudar os pacientes a largar o vício.

O cigarro é a droga que mais vicia?
VERDADE: vários estudos apontam que dentre todas as drogas conhecidas, o cigarro é a que provoca mais dependência química, além de viciar depressa: bastam poucos cigarros para se tornar dependente. E tudo isso devido à nicotina. "A nicotina é a substância que causa a dependência química do fumante, sendo considerada uma droga psicoestimulante, com efeitos semelhantes à cocaína e heroína, liberando substâncias estimulantes no cérebro que levam à sensação prazerosa e euforia. Quando a nicotina é aspirada, atinge mais rapidamente o cérebro, em torno de sete a 19 segundos, o que leva em média a 200 associações da nicotina por dia no cérebro de pessoas que fumam um maço diariamente. Nenhuma outra droga oferece tamanha estimulação neurológica", diz a pneumologista Suzana Pimenta, do Hospital 9 de Julho.

Charuto e cachimbo são alternativas melhores ao cigarro tradicional.
MITO: muitas pessoas acreditam que correm menos riscos porque não estão tragando a fumaça quando fumam cachimbo ou charuto, mas há evidências científicas que apontam que mesmo sem a a necessidade de tragar, eles podem ser tão nocivos quanto o cigarro. "Todo consumo de tabaco faz mal, principalmente os queimados, como o cigarro, o charuto, o narguilé e o cachimbo", afirma o pneumologista Ubiratan de Paula Santos, médico da Divisão de Pneumologia do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas e professor da FMUSP (Faculdade de Medicina da USP).

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Narguilé é pior que cigarro?
VERDADE: apesar de ter um aroma agradável, o narguilé provoca a exposição a componentes tóxicos equivalentes aos presentes em 100 cigarros - e isso em pouco mais de uma hora, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). "O narguilé é visto como uma forma inofensiva de consumo de tabaco, pois em tese, a água filtraria os componentes tóxicos. Mas ao consumi-lo, além de absorver substâncias tóxicas, a pessoa inala os produtos da combustão do carvão utilizado para queimar o fumo", diz a pneumologista Suzana Pimenta, do Hospital 9 de Julho.

Cigarro é mais nocivo do que a maconha?
MITO: tanto o cigarro quanto a maconha trazem muitos prejuízos à saúde. O uso crônico do cigarro causa problemas como vários tipos de câncer (especialmente câncer de pulmão), além de sérios problemas cardiovasculares e respiratórios. Já o uso crônico da maconha pode provocar alterações em várias áreas do aparelho psíquico: memória, atenção, concentração, ânimo, capacidade de realização, noção de tempo e espaço, percepção, etc., devido a uma substância chamada THC (tetraidrocanabinol). O cigarro vicia mais rapidamente, porém os efeitos da maconha no organismo são mais duradouros. Por fim, é importante lembrar que os dois causam dependência e que o uso de maconha é ilegal no Brasil, o que também pode acarretar problemas sérios para o usuário.

O cigarro pode ser a porta de entrada para outros vícios?
VERDADE: uma série de estudos publicados nos últimos anos confirmam que o cigarro pode ser uma porta de entrada para o consumo de cocaína, heroína ou crack, entre outros compostos tóxicos. De acordo com um estudo da Universidade de Columbia (EUA), publicado na revista Science Translation Medicine no final de 2011, a nicotina interfere na regulação do DNA e acaba por aumentar a expressão de um gene chamado FosB, relacionado à propensão ao vício.

VEJA+: Serviços gratuitos ajudam fumantes a abandonarem o cigarro

Cigarros flavorizados não menos prejudiciais que os tradicionais?
MITO: os cigarros com sabor (menta, cravo, canela, cereja, baunilha, etc.) - entre eles o popular gudang garam - são verdadeiras armadilhas. Eles não apenas causam os mesmos prejuízos à saúde que os cigarros comuns, como também são uma porta de entrada para o vício, já que muitas pessoas não gostam do sabor do cigarro comum e acabam usando esse tipo de cigarro para começar a fumar. "Os cigarros mentolados ou flavorizados causam o mesmo malefício, apesar de terem o sabor mais palatável", aponta a pneumologista Suzana Pimenta, do Hospital 9 de Julho.

Fumar um ou dois cigarros por dia não faz mal?
MITO: cada cigarro contém mais de 4.500 substâncias químicas, muitas delas cancerígenas e tóxicas. E se expor a elas é sempre nocivo: fumar pouco ou apenas conviver com fumantes provoca danos à saúde. Assim, apesar de se considerarem fumantes "leves", quem fuma até quatro cigarros por dia também tem maior risco de desenvolver doenças cardíacas, vasculares, respiratórias e vários tipos de câncer - especialmente o de pulmão.

É possível parar de fumar por conta própria?
VERDADE: é possível, mas é muito difícil. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), menos de 5% das pessoas que param de fumar por conta própria conseguem completar um ano longe do cigarro.

Quem fumou por muitos anos ainda pode recuperar a saúde ao parar de fumar?
VERDADE: mesmo quem fumou por muitos anos pode recuperar a saúde ao parar de fumar. Após uma semana, a pressão arterial e a frequência cardíaca normalizam, não há mais nicotina na circulação sanguínea, o nível de oxigênio no sangue aumenta, a sensibilidade do paladar e do olfato melhoram e a respiração torna-se mais fácil. Após um mês a circulação melhora e a congestão nasal, a fadiga e a falta de ar diminuem. Após um ano, o risco de doenças coronarianas cai pela metade. Após cinco anos, a possibilidade de desenvolver um câncer de pulmão, boca, garganta e esôfago e de ter um infarto também são reduzidas. "Uma pessoa pode ter fumado dois maços por dia dos 15 aos 35 anos de idade, mas se parar nessa idade os riscos tendem a se igualar aos de um não fumante. A cada década que se posterga em parar, sempre há redução de riscos, mas não mais igual a um não fumante", diz o pneumologista Ubiratan de Paula Santos, médico da Divisão de Pneumologia do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas e professor da FMUSP (Faculdade de Medicina da USP)